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BI-RADS 3 e BI-RADS 0: O que significa os resultados que mais confundem? 

BI-RADS 3 e BI-RADS 0: os resultados que mais confundem!

 

Na postagem passada eu expliquei o que é o BI-RADS, por que ele foi criado e o que significam as categorias 1 e 2. Também falei de um ponto que vale repetir: o BI-RADS não é uma escala de evolução, ele é uma fotografia daquele exame, naquele momento!

Hoje vamos falar das duas categorias que mais trazem pacientes ao consultório com o coração apertado: o BI-RADS 3 e o BI-RADS 0.

O que significa o BI-RADS 3?

O BI-RADS 3 é usado quando o radiologista encontra um achado que tem tudo para ser benigno, mas que ainda não cumpriu todos os critérios para ser chamado de benigno com certeza.

A chance de um achado BI-RADS 3 ser câncer é de 2% ou menos. Ou seja, em pelo menos 98 de cada 100 casos, o achado é benigno!

Alguns exemplos de achados que podem ser considerados BIRADS 3:

  • um nódulo de contornos bem definidos, com aspecto de fibroadenoma, visto pela primeira vez
  • um pequeno grupo de calcificações redondinhas e uniformes
  • uma área de assimetria que não tem cara de lesão suspeita

Se é tão provável que seja benigno, por que não dar como benigno?

Porque a medicina baseada em evidências pede cautela! O que garante que um achado é benigno, nesses casos, é a estabilidade ao longo do tempo. Se ele não muda ao longo de um determinado período, a confirmação de benignidade pode acontecer!

Qual é a conduta?

A recomendação padrão é o controle em curto intervalo: repetir o exame em cerca de 6 meses. Depois, normalmente, novos controles são feitos até completar cerca de 2 anos de acompanhamento. Se o achado se mantiver estável nesse período, ele passa a ser considerado benigno, e o laudo pode ser reclassificado como BI-RADS 2.

Em algumas situações específicas, como quando há muita ansiedade, dificuldade de acompanhamento ou um contexto de risco particular, incompatibilidade com o seu exame físico, o seu mastologista pode conversar com você sobre a possibilidade de biópsia. Mas, para a grande maioria das mulheres, o acompanhamento é seguro e evita procedimentos desnecessários!

“Mas e se piorar até lá?”

Essa é uma preocupação legítima. O intervalo de 6 meses foi definido justamente porque, nos raros casos em que o achado não é benigno, ele costuma ser detectado ainda em fase inicial, sem prejuízo para o tratamento. É um período de tempo considerado seguro para observar!

E lembre: se no controle o achado mudar, ele não “evoluiu” de 3 para 4 como numa escada. O que acontece é que o novo exame trouxe uma informação nova, e a fotografia de agora é avaliada pelo que ela mostra.

O que significa o BI-RADS 0?

Agora, a categoria que mais causa reações variadas. Muitas pacientes leem “0” e pensam que está tudo ótimo, que estão “zeradas”, ou, no outro extremo, algumas pacientes já pensam o pior. Mas o BI-RADS 0 não é um resultado ruim. Ele simplesmente quer dizer que o exame está incompleto.

Em outras palavras, o radiologista está dizendo: “com as imagens que tenho agora, ainda não consigo dar uma categoria final. Preciso de mais informação.”

Por que isso acontece?

Os motivos mais comuns são:

  • Necessidade de imagens complementares. Por exemplo, uma incidência extra da mamografia, uma compressão localizada, uma magnificação ou uma ultrassonografia.
  • Necessidade de comparar com exames anteriores. Às vezes, uma imagem que parece nova pode estar ali há anos. Ver os exames antigos resolve a dúvida.
  • Sobreposição de tecidos. Em mamas densas, o tecido pode se sobrepor na imagem e criar algo que parece um achado, mas que desaparece quando a imagem é feita de outro ângulo.

E depois?

Depois que a complementação é feita, o radiologista dá a categoria final.

Por isso, o mais importante diante de um BI-RADS 0 é não deixar para depois. Guarde seus exames anteriores (mamografias, ultrassons, ressonâncias) e leve sempre que for fazer um novo exame. Isso, por si só, já evita muitos laudos 0.

Resumindo…

  • BI-RADS 3: provavelmente benigno, com chance de câncer de 2% ou menos. Conduta recomendada: controle em 6 meses e acompanhamento por cerca de 2 anos.
  • BI-RADS 0: exame incompleto. Não é bom nem ruim. Conduta recomendada: fazer a complementação ou a comparação com o exame necessário (seu mastologista e/ou radiologista que vai avaliar qual o indicado).

E o BI-RADS 4, 5 e 6?

No próximo texto do blog, vou explicar as categorias que indicam necessidade de investigação mais aprofundada: o BI-RADS 4 (com suas subdivisões A, B e C), o 5 e o 6. Se você ainda não leu o primeiro texto da série, vale começar por ele clicando AQUI.

Mas antes de guardar o seu exame na gaveta…

Todo exame merece ser visto pelo seu mastologista. Mesmo quando o laudo diz que está tudo normal. O BI-RADS é uma ferramenta excelente, mas ele descreve a imagem. Quem olha para você por inteiro, com a sua história, o seu exame físico e os seus fatores de risco, é o especialista, ou seja, o mastologista!

E tem um ponto que eu faço questão de reforçar: se o exame veio normal, mas você continua sentindo alguma coisa, como um caroço, uma retração na pele, uma mudança no mamilo, uma secreção ou uma dor que não passa, não ignore. Nenhum exame de imagem é perfeito, e o que você sente também é informação. Nesses casos, é ainda mais importante que você procure o seu mastologista. Às vezes é preciso olhar de outro jeito, com outro exame.

Você conhece o seu corpo melhor do que ninguém. Confie nisso, e não fique com a dúvida sozinha!

E se precisar da minha ajuda, basta clicar AQUI para agendar a sua consulta! Será um prazer poder te ajudar!

 

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