Quem tem câncer de mama pode fazer massagem?
Essa é uma dúvida muito comum no consultório entre as pacientes que estão em tratamento para o câncer de mama.
Muitas chegam inseguras, com medo de que uma massagem ou uma drenagem linfática possam “espalhar” o câncer pelo corpo. E esse receio costuma surgir porque o câncer de mama pode se disseminar através dos vasos linfáticos e dos linfonodos da axila.
Mas aqui vou desmistificar isso: massagem e drenagem linfática não espalham o câncer!
Esse é um mito antigo, que ainda circula bastante, mas que não encontra respaldo nas evidências científicas atuais.
Então por que esse mito surgiu?
O raciocínio até parece fazer sentido inicialmente: se o câncer pode usar a via linfática para se disseminar, estimular a circulação linfática através da drenagem poderia facilitar a metástase… Porém isso não é verdade.
O processo de disseminação tumoral é muito mais complexo do que isso.
A formação de metástases depende de características das próprias células tumorais, de alterações moleculares e da capacidade dessas células sobreviverem e crescerem em outros órgãos. Não é uma massagem que vai simplesmente “empurrar” células cancerígenas pelo corpo.
Inclusive, o nosso sistema linfático já funciona continuamente e atividades simples como caminhar, respirar profundamente, fazer exercício físico ou movimentar os braços já estimulam a circulação linfática naturalmente.
E a drenagem linfática em pacientes oncológicas?
A verdade é que as massagens e a drenagem linfática podem fazer parte do cuidado de muitas pacientes com câncer de mama, especialmente daquelas que desenvolveram linfedema, o inchaço do braço que pode acontecer após cirurgias axilares ou radioterapia.
Nesses casos, a drenagem realizada por profissionais capacitados faz parte de um tratamento reconhecido e bastante utilizado na reabilitação oncológica.
Além disso, massagens terapêuticas podem trazer benefícios importantes durante e após o tratamento do câncer, como:
- redução da sensação de tensão corporal;
- melhora do bem-estar;
- alívio de dores musculares;
- melhora da qualidade do sono;
- redução da ansiedade e do estresse;
- melhora da percepção corporal e do autocuidado.
E isso faz diferença! Porque tratar o câncer não envolve apenas combater a doença, mas também cuidar da qualidade de vida da paciente ao longo de todo o processo.
Existe algum cuidado necessário?
Sim. Nem toda massagem é indicada para toda paciente, em qualquer momento do tratamento e de qualquer forma.
Após cirurgias, por exemplo, deve-se evitar manipular o local da ferida operatória, a fim de evitar complicações locais como infecções e deiscência (abertura dos pontos).
Também existem situações que devem ser evitadas, como pacientes com infecções de pele, trombose, dores intensas ainda sem causa definida e situações de maior fragilidade clínica, nas quais a avaliação médica deve ser realizada antes da liberação.
Além disso, técnicas muito agressivas ou profissionais sem experiência em oncologia podem não ser adequados para esse contexto.
Por isso, o ideal é que a paciente converse com sua equipe médica e procure profissionais capacitados para atender pacientes oncológicas.
Resumindo…
O câncer de mama já traz medo, insegurança e muitas limitações emocionais. Não podemos deixar que esses mitos acabem aumentando ainda mais essa carga.
A massagem terapêutica, quando bem indicada e realizada de forma segura, não “alimenta”, não “acorda” e nem espalha o câncer!
Em muitos casos, ela pode ser justamente uma ferramenta de acolhimento, conforto e cuidado durante uma fase tão delicada da vida.
Se você está passando pelo tratamento do câncer de mama e tem dúvidas sobre o que pode ou não fazer durante essa fase, converse com a sua mastologista de confiança!
E se você busca um cuidado individualizado para ter mais segurança, tranquilidade e qualidade de vida, será um prazer poder fazer parte desse cuidado!
