Oncogenética e Mastologia: quando a genética ajuda a prevenir o câncer
Nos últimos anos, a medicina avançou muito na compreensão das causas genéticas do câncer. Hoje sabemos que, em alguns casos, o risco de desenvolver certos tumores pode estar relacionado a alterações herdadas nos genes.
Essa área da medicina é chamada de oncogenética, um campo que vem ganhando cada vez mais importância dentro da mastologia.
Recentemente finalizei minha pós-graduação em Predisposição Hereditária ao Câncer no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, um centro de referência em medicina e pesquisa no Brasil. Essa formação aprofunda a capacidade de identificar pacientes que podem ter maior risco hereditário para câncer, permitindo estratégias de prevenção e acompanhamento mais personalizados.
Mas afinal, o que significa ter um câncer hereditário?
Nem todo câncer é hereditário
A maioria dos casos de câncer de mama acontece de forma esporádica, ou seja, sem relação direta com uma alteração genética herdada.
No entanto, cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de mama estão associados a mutações hereditárias transmitidas dentro das famílias. Nesses casos, a pessoa nasce com uma alteração em determinados genes que aumentam a probabilidade de desenvolver câncer ao longo da vida.
Entre os genes mais conhecidos estão BRCA1 e BRCA2, que têm papel importante na reparação do DNA e na proteção contra o desenvolvimento de tumores. Quando ocorre uma mutação nesses genes, o risco de desenvolver câncer de mama pode aumentar significativamente ao longo da vida.
O que a oncogenética faz na prática?
A oncogenética busca identificar famílias que podem ter predisposição hereditária ao câncer. Isso envolve uma avaliação cuidadosa que inclui:
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análise detalhada do histórico familiar
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idade em que os tumores apareceram na família
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tipos de câncer presentes entre os parentes
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indicação, quando necessário, de testes genéticos
Esse processo é chamado de aconselhamento genético, que tem como objetivo explicar os riscos, orientar exames e discutir estratégias de prevenção ou diagnóstico precoce.
Como isso muda o cuidado com as mamas?
Quando identificamos que uma paciente tem maior risco hereditário para câncer de mama, o acompanhamento pode ser adaptado de forma personalizada. Dependendo do caso, podemos indicar:
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início mais precoce do rastreamento
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exames de imagem mais frequentes
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acompanhamento multidisciplinar
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estratégias de redução de risco em situações específicas
Ou seja, a oncogenética permite algo muito valioso na medicina moderna: antecipar riscos e agir antes da doença aparecer.
Um cuidado que também envolve a família
Outro aspecto importante da oncogenética é que ela não olha apenas para um indivíduo. Quando uma alteração genética hereditária é identificada, outros membros da família também podem se beneficiar da avaliação, permitindo estratégias de prevenção e rastreamento mais adequadas.
Assim, muitas vezes um diagnóstico genético acaba ajudando não apenas uma paciente, mas toda uma família.
Conhecimento para cuidar melhor
A mastologia moderna vai muito além do diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Ela também envolve prevenção, rastreamento e identificação de fatores de risco, e é nesse contexto que a oncogenética se torna uma ferramenta cada vez mais importante.
Minha formação em predisposição hereditária ao câncer no Hospital Israelita Albert Einstein faz parte desse compromisso de oferecer às pacientes um cuidado cada vez mais completo, baseado em ciência, atualização constante e medicina personalizada.
Porque, quando conseguimos identificar o risco antes da doença, muitas vezes temos a oportunidade de mudar a história natural do câncer.
