Porque não fazer o autoexame das mamas como forma de descobrir o câncer de mama?
O título deste texto pode parecer polêmico ou até contraditório com o que ouvimos por décadas. Afinal, sempre nos disseram para “tocar as mamas” em busca de caroços, certo? Mas eu preciso ser muito honesta com você: confiar apenas no autoexame pode ser perigoso…
Não me entenda mal, o toque é ótimo para o seu autoconhecimento. É importante saber como seu corpo é. Mas ele não serve como método de diagnóstico precoce como muitas pessoas falam!
Vou te dar 3 exemplos nos quais o autoexame falha em te proteger do câncer de mama em sua fase inicial:
1. O câncer inicial é muitas vezes invisível ao toque
A grande vantagem de descobrirmos o câncer cedo é que a chance de cura é altíssima. Mas, nessa fase inicial (como no Carcinoma Ductal in Situ), as lesões costumam ser microscópicas. Muitas vezes elas aparecem na mamografia apenas como “pontinhos brancos” (microcalcificações).
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A realidade: A gente não consegue palpar essas lesões. Elas não formam caroço e não causam dor.
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O perigo: Se você espera sentir algo para ir ao médico, você perde a chance de flagrar a doença nessa fase “invisível” e altamente curável. Estudos mostram que é muito comum identificar esse tipo de lesão inicial (CDIS) apenas pelas microcalcificações na mamografia, muito antes de qualquer sintoma físico.
2. O tamanho e a posição importam
Mesmo quando existe um nódulo, nem sempre ele é palpável. Pacientes com mamas volumosas e que apresentam nódulos em localizações mais profundas, podem não perceber o nódulo, mesmo quando ele é grande.
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A realidade: Pelo tamanho das mamas e a profundidade da lesão, o nódulo pode não ser palpável até por profissionais médicos. A mamografia, no entanto, enxerga através do tecido.
3. A consistência pode enganar
“Ah, doutora, mas se o nódulo for grande eu vou sentir!” Não necessariamente. Existem tumores que, mesmo grandes, possuem uma consistência muito parecida com a do tecido normal da mama.
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A realidade: alguns tipos de tumores se “camuflam” no meio da glândula mamária e podem passar despercebidos ao toque, crescendo silenciosamente.
A Falsa Segurança
O maior risco do autoexame como método de rastreio é a falsa sensação de segurança! Muitas mulheres pensam: “Toquei, não senti nada, então não preciso fazer meus exames este ano, não preciso passar no médico”. Isso é um erro que pode custar caro…
As imagens de mamografia que mostram lesões graves muitas vezes vêm de pacientes que não faziam seus exames de rotina regularmente porque confiavam apenas no toque.
O que você deve fazer então?
Use o toque para se conhecer, mas não espere surgir uma lesão para buscar ajuda!
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Faça seus exames de rotina: A mamografia é o padrão-ouro para o rastreamento, capaz de detectar lesões muito antes de se tornarem palpáveis. Em mulheres de risco habitual, deve ser realizada a partir dos 40 anos. Mulheres com fatores de risco ou história de câncer na família podem precisar iniciar seus exames mais cedo. A sua mastologista de confiança pode utilizar calculadoras para definir seu risco e a melhor idade para iniciar seus exames.
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Mantenha hábitos saudáveis: Melhore sua alimentação e estilo de vida. Esses são as principais formas de prevenção do câncer!
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Consulte seu mastologista regularmente: Não deixe para marcar a consulta apenas quando notar algo errado! A consulta de rotina funciona tanto para ajustar o estilo de vida, de forma a diminuir seus riscos de desenvolver um tumor, além de avaliar seus exames de forma adequada, pois, se algo surgir (não é o que queremos, mas pode acontecer), flagrar no início é a chave para a cura!
Lembre-se: Diagnóstico precoce salva vidas, e ele é feito com exames de imagem, não apenas com as pontas dos dedos!
Ficou ainda com alguma dúvida? Deixa aí nos comentários! Deseja que eu lhe ajude a cuidar da sua saúde mamária da melhor forma pra você? Clica aqui para agendar a sua consulta! Será um prazer poder te acompanhar!
