Meu nódulo só aparece no ultrassom: ainda preciso continuar fazendo mamografia?
Esta é uma das dúvidas mais comuns no consultório: a paciente já realiza a mamografia anualmente para o rastreamento de rotina, mas, ao fazer o ultrassom, descobre um nódulo. Mas ao olhar o laudo da mamografia… cadê o nódulo? Simplesmente não está lá.
A pergunta vem quase no mesmo instante: “Doutora, se a mamografia não enxergou o meu nódulo, por que preciso continuar fazendo esse exame?”
O que você provavelmente vai ouvir de mim e o que vai entender ao longo desse texto é que cada exame procura coisas completamente diferentes!
Para entender por que um exame não substitui o outro, vale pensar neles como duas ferramentas com funções distintas:
Ultrassom de Mamas (USG)
O ultrassom é excelente para avaliar a estrutura do nódulo que foi encontrado. É um exame que consegue diferenciar com mais clareza se aquela lesão é um cisto (uma bolsa cheia de líquido, benigna) ou um nódulo sólido, como são as suas margens, seu formato, tamanho, etc. Além disso, em mulheres com tecido mamário mais denso (comum em mulheres mais jovens ou com predisposição a possuir mais glândulas), a mamografia pode ter certa limitação para enxergar pequenos nódulos ocultos no tecido. O ultrassom consegue “atravessar” melhor essa densidade e identificar a lesão.
E aí, com isso, algumas pacientes ainda seguem com a dúvida inicial… “Se a ultrassom é boa para ver nódulos e a mamografia nem tanto, ainda não entendo o porquê de fazer a mamografia!”. Mas quem disse que o câncer de mama sempre vem como um nódulo??
Mamografia (MMG)
O fato de a mamografia nem sempre visualizar um nódulo não significa que ela falhou no seu papel. A grande força da mamografia está em encontrar alterações que o ultrassom não consegue ver e que podem ser o primeiro sinal de um câncer!
As microcalcificações suspeitas são frequentemente o primeiro sinal de um câncer de mama, aparecendo muito antes de a doença se transformar em um nódulo palpável ou visível no ultrassom. Essas microcalcificações são pequeníssimos pontos de cálcio no tecido mamário e na imensa maioria das vezes, o ultrassom é incapaz de identificá-las.
Por que manter a mamografia na rotina?
Acho que agora você já deve estar entendendo melhor, né?
Quando mantemos a mamografia em uma paciente que tem um nódulo visível apenas na ultrassom, o objetivo não é tentar “procurar o nódulo de novo” na mamografia.
O objetivo é garantir o rastreamento global da mama:
- O ultrassom cuida do nódulo: Ele serve para acompanhar o tamanho, as margens e a estabilidade daquela lesão específica ao longo do tempo.
- A mamografia cuida do resto: Ela continua vigilante em busca de lesões precoces (como as microcalcificações e assimetrias) em outras áreas da mama, que nem sempre são vistas na USG.
O diagnóstico é um trabalho em equipe
Nenhum exame isolado é perfeito para todas as situações.
Por isso, na mastologia, dizemos que a mamografia e o ultrassom não competem entre si, eles se somam. Cada um faz a sua parte identificando diferentes lesões que podem precisar de um acompanhamento especializado ou mesmo investigação.
Depois desse texto, acho que você já entendeu que continuar fazendo a mamografia não é exagero da sua médica!
É um maior cuidado para que nenhum detalhe da sua saúde mamária passe despercebido. Mantendo seus exames e o acompanhamento em dia, você garante mais segurança na sua prevenção!
Se você ainda ficou com alguma dúvida ou deseja manter o cuidado especializado que a sua saúde merece, clica AQUI para agendar a sua consulta comigo. Será um prazer te ajudar!
