Câncer de Mama Cirurgia Dicas e Cuidados

Pode fazer musculação após o esvaziamento axilar?

Posso fazer musculação após a cirurgia para esvaziamento axilar?

Para muitas mulheres que passam pelo tratamento do câncer de mama, a palavra esvaziamento axilar vem acompanhada de uma lista de medos. E um dos maiores receios, sem dúvida, é: “Será que nunca mais vou poder carregar peso ou treinar os braços?”

Se você já ouviu por aí que quem passou por essa cirurgia deve passar longe da musculação, hoje eu estou aqui para te dar uma excelente notícia: isso é um mito! Na verdade, a atividade física não só é permitida, como é uma das suas maiores aliadas na recuperação após a cirurgia e a longo prazo.

O que é o esvaziamento axilar e de onde vem o medo?

Para entender melhor essa questão, precisamos olhar para a cirurgia. O esvaziamento axilar é um procedimento cirúrgico que consiste na remoção de parte dos linfonodos (as famosas “ínguas” ou “landras”) da axila. Esses linfonodos fazem parte do nosso sistema linfático, que é responsável por drenar os líquidos e defender o nosso corpo. Quando retiramos esses linfonodos, existe uma chance de afetar essa drenagem, causando um acúmulo de líquido nessa região, levando a um inchaço crônico do braço, o temido linfedema.

Se você conhece alguém que fez cirurgia pra câncer nos anos 90 ou começo dos anos 2000, pode ter visto esse inchaço. As cirurgias mais antigas retiravam uma quantidade muito maior dos linfonodos da axila do que as cirurgias atuais, o que facilitava ainda mais o surgimento desse linfedema.

Além disso, antigamente, a recomendação médica geral era o repouso absoluto e a proibição de carregar qualquer peso com o braço operado. Acreditava-se que o esforço do braço poderia sobrecarregar ainda mais a região, causando o linfedema.

Esse medo histórico atravessou gerações, e é por isso que o mito de que “musculação faz mal após a cirurgia” ainda é tão comum nos dias de hoje.

Mas o que a ciência diz hoje?

Felizmente, a medicina evoluiu, e os estudos científicos mudaram esse cenário. Hoje sabemos que o sedentarismo e a fraqueza muscular são fatores de risco muito maiores para o linfedema do que o exercício físico bem orientado.

Quando você faz musculação de forma progressiva e controlada, acontece o oposto do que se temia antigamente:

  • Bomba muscular: A contração dos músculos do braço funciona como uma verdadeira “bomba”, ajudando a empurrar o líquido linfático e facilitando a circulação, mesmo com a ausência de alguns linfonodos.

  • Prevenção do linfedema: Exercícios de força ajudam a manter o peso corporal saudável (o sobrepeso é um vilão para o linfedema) e melhoram a capacidade de drenagem do organismo.

  • Recuperação de movimentos: A musculação devolve a amplitude de movimento do ombro, melhora a postura e reduz as dores crônicas que podem surgir no pós-operatório.

  • Autonomia e autoestima: Sentir-se forte novamente tem um impacto gigantesco na saúde mental e na qualidade de vida após o câncer.

Como deve ser o retorno aos treinos?

A palavra mais importante é progressão cuidadosa. Você não vai sair da cirurgia direto para os pesos pesados, e o bom senso (junto com o acompanhamento profissional) é fundamental:

  • Liberação médica: O primeiro passo é a autorização do seu mastologista e o acompanhamento da fisioterapia pélvica/reabilitação. Logo imediatamente a cirurgia, talvez a sua equipe médica oriente uma menor movimentação dos braços e inclusive não pegar peso. Isso se dá para a recuperação do local da cirurgia, a depender do tipo de tratamento que você realizou. Pouco a pouco, a sua equipe vai liberar os exercícios.
  • Comece leve: O retorno deve ser gradual, começando com cargas bem baixas ou apenas com o peso do próprio corpo e elásticos apropriados para isso
  • Foque na técnica: Movimentos bem executados importam muito mais do que a quantidade de carga. Além disso, o ideal é que você realize os seus movimentos acompanhado de um profissional da área (educador físico ou fisioterapeuta oncológico)
  • Escute o seu corpo: Se notar algum sinal de alerta, como inchaço no braço ou na mão, sensação de peso, formigamento ou vermelhidão, interrompa o exercício e converse com sua equipe médica. O autoconhecimento também vai te ajudar nessa percepção de sintomas!

O movimento cura!

Esqueça a ideia de que o diagnóstico ou a cirurgia te tornam frágil. Com a orientação certa, a musculação é um porto seguro para você recuperar a sua força, proteger o seu braço e retomar o controle da sua rotina. Mas lembre-se de se movimentar sempre com segurança e com o aval da sua equipe médica e multiprofissional!

Se você conhece alguém que passou por essa cirurgia e tem medo de treinar, compartilhe este post para espalhar essa informação tão importante! E caso você deseje o cuidado especializado que você merece, agende uma consulta clicando AQUI! Vai ser um prazer poder te receber!

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